domingo, 18 de julho de 2010

Tributo à bajulação

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Mais um artigo imperdível do querido professor Helington Rangel. O tema é o estádio na Fonte Nova. Como ele deve ser chamado após a reconstrução? Não deixe de ler e comentar.


Na televisão, o governador Jaques Wagner abriu a campanha para rebatizar o estádio na Fonte Nova do Desterro: despojar o nome apropriado de Octávio Mangabeira para exaltar Luis Ignácio da Silva, o Lulão, certamente encorajado por sua admiração incondicional, mistura de homenagem entusiástica com o grosseiro.

Na enquete do site Bahia Já, 43% dos entrevistados sabiam que Octávio Mangabeira foi o idealizador e construtor do estádio, 26% atribuíram a Antonio Balbino, enquanto 15% imputaram a Antonio Carlos Magalhães e 10% a Régis Pacheco. Apenas 6% mencionaram Luiz Vianna Filho, autor da reforma e ampliação do espaço esportivo.

O primeiro governador da Bahia eleito após a Era Vargas, Octávio Mangabeira revolucionou o sistema nacional de educação: implantou o Centro Educacional Carneiro Ribeiro no bairro populoso e pobre da Liberdade, estruturado com método pedagógico inovador e ensino em tempo integral, projeto mutilado pelos sucessores, mas recuperado pelo Rio de Janeiro, torrão natal de Jaques Wagner.

Engenheiro civil, professor da Escola Politécnica e membro da Academia Brasileira de Letras, Octávio Magabeira se refugiou na Europa para escapar da truculência do Estado Novo - e regressou ao Brasil com a redemocratização, elegendo-se deputado constituinte. Octávio Mangabeira morreu em 1958, ainda com mandato de senador da República e conduzido pela história à tribuna das inteligências notáveis do país.

Desperta estranheza o imobilismo do governador do Estado em apoiar a restituição no aeroporto de Salvador do legítimo tributo de gratidão dos baianos aos heróis do 2 de Julho e a velocidade do impulso para consagrar sua fidelidade ao Presidente da República.
Na África do Sul, o Soccer City tornou-se território de disputa entre duas empresas sobre o nome que o estádio privado adotará com o fim do torneio. Em Ondina, Jaques Wagner sopra também a vuvuzela para renomear um equipamento urbano público, amplificando a assertiva de Octávio Mangabeira, estadista ignorado por ele: “Pense num absurdo, na Bahia tem precedente.”

Helington Rangel

Professor universitário, economista, jornalista
helingtonr@msn.com


CRÉDITOS DA IMAGEM:
Foto: Vaner Casaes / AGECOM , disponível em: Fotos da Bahia, sob uma licença Creative Commons
Início da Demolição do Estádio da Fonte Nova

Na foto: Estádio da Fonte Nova onde será construída a Arena Fonte Nova
Data: 21/06/2010

 

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2 Comentários Tributo à bajulação

Thiago
19 de julho de 2010 17:20

Essa obra super faturada que Jaques Wagner quis chamar de Lulão é uma falta de respeito com nós, baianos. deixo aqui minha revolta sobre uma obra que beneficia empresários e brinca com o dinheiro público. uma pena, esse governo é uma pena

20 de julho de 2010 18:24

Thiago, obrigada por sua colaboração aqui no Dialógos na Rede.
Continue particpando.
Abs.

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